Não há consenso sobre quando surgiu efetivamente uma unidade administrativa precursora da atual
Espanha. Espanha era, até ao séc. XVII, apenas um sinônimo de Península Ibérica, não se referindo a um
país ou estado específico, mas sim ao conjunto de todo o território ibérico e dos países que nele se
incluíam. O termo começa talvez a ser utilizado como significando um estado específico depois da união
pessoal, sob o Rei Filipe, de Portugal e dos restantes reinos ibéricos, dos quais já era soberano. A partir de
1640, com a restauração da independência de Portugal, a designação Reino de Espanha manteve-se,
apesar do estado com esse nome já não englobar toda a Península.
Pré-História
Dólmen de Menga, sul da Espanha
Há fortes indícios de ocupação humana pré-histórica da península desde um passado remoto. Em 1848 foi
encontrado numa caverna do atual território britânico de Gibraltar um crânio de um homem de
Neanderthal de aproximadamente 60.000 anos. No atual território espanhol também existem pinturas
rupestres na caverna de Altamira, com cerca de 15.000 anos. Dentre os achados da era dos metais está o
dólmen de Menga e o dólmen de Viera. Por outro lado no atual território português, há 20 000 anos o
homem gravou milhares de desenhos representando cavalos e bovídeos nas rochas xistosas do vale do
Côa, afluente do rio Douro, situado na região nordeste de Portugal.
A conquista da América
Ainda no período dos reis católicos, a Espanha empreendeu uma política de financiamento de explorações
marítimas, rivalizando poder com Portugal. Entre elas, a viagem de Cristóvão Colombo tornou a América
conhecida à Europa. A partir desse fato, a Espanha colonizou as terras do Novo Mundo e através de seus
conquistadores, diversos povos indígenas foram reprimidos, como as civilizações Inca, Asteca e Maia.
Para evitar disputas com outras nações européias, a Espanha firmou com Portugal através do Papa
Alexandre VI o Tratado de Tordesilhas, para definir os territórios do Novo Mundo que pertenceriam a
cada país.
A Espanha trouxe do continente americano gigantescas porções de prata e ouro. Entretanto esse modo de
exploração foi prejudicial ao país. Enquanto a economia era dependente das colônias na América, outras
atividades como o comércio não foram desenvolvidas como em outros países, por exemplo, a Inglaterra.
Isso provocou a desvalorização da moeda espanhola e diversas crises econômicas.
Dinastia Habsburgo
O Império Colonial Espanhol atingiu seu auge e declinou sob a dinastia dos Habsburgos. A Espanha
obteve sua maior extensão sob Carlos I, também intitulado Imperador Carlos V do Sacro Império
Romano-Germânico.
Após a morte de Carlos I em 1556, o extenso reino se dividiu em duas porções: o Sacro Império de um
lado; a Espanha e os Países Baixos de outra, sob o controle de Filipe II. Em 1580, com a morte de Dom
Henrique, Filipe II unifica as coroas portuguesa e espanhola sob seu poder.
A grande extensão gerou conflitos internos. Em 1640 Portugal readquire sua independência. Em 1648 o
rei Filipe IV reconhece a independência dos Países Baixos com o fim da Guerra dos Oitenta Anos. A o
domínio de Filipe V, da dinastia Bourbon, que persiste até hoje.
Período Napoleônico
Filipe V foi sucedido por Fernando VI, Carlos III e Carlos IV. No governo desse último, as tropas de
Napoleão Bonaparte invadiram o território espanhol e puseram o irmão José Bonaparte no poder. A casa
dos Bourbon foi restaurada em 1813 com a posse de Fernando VII. Nesse período de agitação interna, as
colônias espanholas na América tiveram a oportunidade de lutar por sua independência. Até 1830, a
Espanha tinha perdido a maioria de suas colônias no continente.
Governo de Fernando VII
Durante o período de 1814 a 1820, restabelece o governo absolutista dos antecessores Bourbons. Suas
medidas foram de repressão aos liberais, que pretendiam a criação uma constituição. Uma revolta
chefiada por Rafael de Riego obriga o rei a aceitar uma constituição. Esse período (o Triênio Liberal)
dura de 1820 a 1823. Nesse ano o rei promoveu um golpe de Estado e restabeleceu o absolutismo.
Guerras Carlistas
A sucessora de Fernando VII após sua morte em 1833 foi sua filha Isabel II, porém, o cunhado Carlos
Maria Isidro, auto-intitulado Carlos V reivindicava o trono. Parte do exército espanhol, liderado por
Tomás de Zumalacárregui iniciou a primeira Guerra Carlista, que durou sete anos. Carlos V é sucedido
pelo seu filho Carlos Luís de Bourbon (Carlos VI) que inicia a Segunda Guerra Carlista entre 1847 e
1860. A seqüência do poder não-efetivo dos carlistas continuou com João III e Carlos VII.
Governo Amadeu I da dinastia de Sabóia
Em 1868, Isabel II foi destronada e foi proclamada uma monarquia constitucional. Foi posto como
regente o general Serrano e, em 1870 empossaram Amadeu I da casa de Sabóia o novo rei. Envolvido
com a Terceira Guerra Carlista, iniciada em 1872 e pela insatisfação popular, Amadeu I renunciou em 11
de fevereiro de 1873.
Primeira República
Com a renúncia da Amadeu I, a população de Madri e deputados republicanos fundaram a Primeira
República Espanhola. São formadas duas correntes principais: os unitários, que preferem um estado de
controle centralizado, e os federais, que propõem uma menor centralização do poder em favor de regiões
administrativas menores.
O primeiro presidente foi Estanislao Figueiras (unitário). Em junho do mesmo ano, a assembléia
constituinte empossa Francisco Pi i Margall (federal). Rebeliões separatistas por todo o país induzem a
renúncia de Francisco Margall, que é sucedido por Nicolás Salmerón (federal), que ordena ao exército
sufocar as revoltas.
Nicolás também se demite, sendo nomeado presidente Emilio Castelar (unitário), apoiado pelos
monarquistas e contra os federais e carlistas. Por não ter maioria no parlamento, o simpatizante do
monarquismo, o general Manuel Campos y Pavía efetuou um golpe de estado. O general Francisco
Serrano assume a presidência, e após seu mandato a monarquia é restituída, assumindo Afonso XII, filho
de Isabel II.
Período de Afonso XIII
No governo de Afonso XIII, filho de Afonso XII, a Espanha passou por dificuldades políticas como o
desastre de 1898 (quando perdeu diversas colônias) e o desastre de Anual de 1921 quando perdeu numa
importante batalha contra Marrocos. Com o apoio do próprio rei, foi instalada a ditadura de Miguel Primo
de Rivera durante 1923 e 1930.
Atualidade
Já no período democrático, a Espanha tenta superar problemas internos como o terrorismo praticado pelo
grupo separatista ETA. Enquanto isso, a nação passa por uma fase de prosperidade econômica.
Fatos importantes no período democrático
1986 - Ingresso na Comunidade Econômica Européia.
1992 - Jogos Olímpicos de Barcelona.
1993 - Vitória do PSOE nas eleições gerais.
1996 - Eleições gerais: maioria relativa do Partido Popular (PP) liderado por José María Aznar.
2000 - Eleições gerais: maioria absoluta do PP. José Maria Aznar continua à frente do governo.
2004 - Em 11 de março, três dias antes das eleições gerais espanholas, ocorre uma serie de
atentados em Madri que mata pelo menos 190 pessoas.
Em 14 de março ganha as eleições o PSOE, e José Luis Rodríguez Zapatero se torna presidente e
María Teresa Fernández de la Vega se torna a primeira Vice-presidente do governo espanhol.
Em 22 de maio o Príncipe Filipe se casa com a jornalista, Letizia Ortiz Rocasolano.
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